Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Deputado ruralista admite: “não queremos abrir mão do Funrural”

Deputado ruralista admite: “não queremos abrir mão do Funrural”

“Não abrimos mão da questão do adiantamento do montante da dívida [do Funrural]”, afirmou o deputado Marcos Montes, ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)

Marcos Montes

Marcos Montes: deputado ruralista que não quer abrir mão da cobrança da dívida do Funrural

Por Antonio Pinho 

Causou indignação entre os produtores rurais a atitude do senador Caiado ao retirar da pauta de votação o projeto, de sua própria autoria, no qual estava previsto o perdão total da dívida bilionária do Funrural, que foi gerada por uma atitude imprudente e ilegal do STF, ao julgar constitucional um tributo que este este mesmo tribunal, anteriormente, havia entendido ser inconstitucional.

A justificativa de Caiado: o perdão da dívida beneficiaria a JBS, de Joesley Batista, empresa envolvida num imenso esquema de corrupção. Jeferson Rocha, diretor jurídico da Andaterra, explicou que tal justificativa para a retirada do projeto de perdão da dívida não faz sentido, e que a JBS não seria beneficiada (confira aqui o texto no qual explico isso).

Uma afirmação do deputado Marcos Montes (PSD-MG) causa até mais estranhamento do que a atitude de Caiado. “O governo já concordou em cobrar 1,5% daqueles que não têm passivos e 2,3% sobre os que não recolheram, mas não abrimos mão da questão do adiantamento do montante da dívida”, afirmou Montes (1). Prestem bem atenção no que ele disse: “não abrimos mão da questão do adiantamento do montante da dívida“. Isso é o que pensa um deputado que deveria defender o agro, e que inclusive foi presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Se Caiado pelo menos chegou a apresentar um projeto para o perdão da dívida – mesmo depois tendo voltado atrás -, para Montes não há conversa. Para ele existe uma dívida, e ela deve ser paga.

Desta forma Montes acaba atuando contra o setor da economia que diz defender. Se certas atitudes da FPA vão contra os interesses do agro, a quem essas atitudes beneficiam? Eis minha dúvida. Será que estão defendendo apenas a si próprios e ao governo, cujo interesse é apenas aumentar a carga tributária?

O fim do Funrural é importante para que o agro possa ter mais potencial de investimento, pois quanto menor é a carga tributária, melhor é ambiente de negócios que o setor privado encontra para gerar riquezas e empregos. Portanto, não apenas o agronegócio deve ter uma drástica redução nos impostos. Todos os setores da economia merecem e necessitam de uma grande diminuição da carga tributária. Só assim o Brasil terá a possibilidade de se tornar membro do grupo das nações desenvolvidas. Temos todo o potencial para ser a potência número 1 do mundo. Infelizmente, a atual estrutura do estado, hipertrofiado como está, é a principal barreira para que o Brasil esteja entre as primeiras nações do mundo.

Nota:

(1)  A afirmação de Marcos Montes encontra-se noticiada em https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/192221-funrural-adiantamento-de-5-da-divida-ainda-gera-impasse-e-mp-ainda-nao-e-publicada-finalizando-o-impasse.html#.WTsEKGgrKUk

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