Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Carta Aberta dos Produtores Rurais à Nação Brasileira

Carta Aberta dos Produtores Rurais à Nação Brasileira

“Ora somos acusados de causadores do efeito estufa, ora de desmatadores e sempre com a pecha de criminosos ambientais, quando cumprimos um dos mais rigorosos Códigos Ambientais do mundo e somos os maiores conservacionistas do país, utilizando apenas 8% sobre o total do território nacional.”

Originalmente publicado na Revista Veja, edição 2556 página 15.

Queremos nos dirigir à população deste país, às autoridades dos poderes instituídos e especialmente a todos aqueles que por algum motivo desconhecem o trabalho e as dificuldades dos Foto revista vejaprodutores rurais buscando “alertar que, caso persista essa situação de insegurança e instabilidade provocada pela ausência de instituições sólidas, poderemos ter uma gravíssima crise alimentar no Brasil.

Nosso objetivo é produzir alimentos em um ambiente que se solidifique em produção sustentável que tenha o tripé ambiental, social e econômico, portanto não conseguiremos sobreviver sem qualquer um desses pilares e o nosso trabalho vai muito além da produção daquilo que é servido na mesa de milhões de pessoas diariamente. Além do feijão, arroz, carne, soja, trigo, açúcar, café hortifrutigranjeiros, enfim, são tantas as diversidades do que produzimos que às vezes esquecemos de outras produções não alimentícias a exemplo do álcool , látex, algodão, celulose, madeira, energia, ou seja, uma infinidade de produtos do campo que efetivamente fazem a grandeza do agronegócio, âncora socioeconômica geradora de emprego, renda e crescimento do Brasil, porém num contraditório dilema diante das dificuldades e a situação gravíssima que estamos enfrentando para nos mantermos, onde a cada ano batemos recordes de produção e a cada safra nos endividamos e empobrecemos mais, reflexo de uma espécie de “Perseguição Institucional” entre os “Poderes” que abrem espaços a certos ministérios, secretarias, órgãos, autarquias, milhares de ONGs escusas, contaminados com interesses políticos e ideológicos que fragilizam nossa soberania e desenvolvimento, nos levando a um estado de instabilidade e pânico no campo diante de um “Estado Policialesco e Confiscatório”, consequências das mesmas vias adotadas permanentemente para as questões:

Ambientais: Ora somos acusados de causadores do efeito estufa, ora de desmatadores e sempre com a pecha de criminosos ambientais, quando cumprimos um dos mais rigorosos Códigos Ambientais do mundo e somos os maiores conservacionistas do país, utilizando apenas 8% sobre o total do território nacional.

Trabalhistas: Querem a todo custo nos qualificar e nos punir como escravagistas, onde qualquer inadequação do ambiente de trabalho, classificam de “trabalho escravo” ou essa nova onde de “análogo à escravidão”, num flagrante desrespeito e desvirtuamento do que determina as Leis em vigor.

Fundiárias: Instalado o terrorismo no campo, não existe democracia sem o devido direito de propriedade, é o alicerce da livre iniciativa, aqui no Brasil ironicamente somos tratados de latifundiários ou grileiros das nossas próprias terras que compramos e pagamos legalmente, desbravamos e produzimos há séculos desde muitas gerações, mesmo assim as invasões de índios ou Sem Terras com o apoio de alguns órgãos e autarquias, invasores fora da lei, tratados e amparados por uma espécie de colete governamental e farta munição para as milhares de ações expropriatórias, criando-se o clima de “invade que eu exproprio”  a exemplo de um único estado, o Mato Grosso do Sul com mais de 120 propriedades invadidas por índios e uma onda avassaladora de invasões de toda ordem se alastrando por todo território nacional.

Tributárias: São tantos impostos e tributos em todas as esferas que atingem o limite do insuportável e nos transformam nos verdadeiros escravos da gana arrecadatória e aqui, não podemos deixar de citar mais uma vez a pretensão agressiva na questão do FUNRURAL, exemplo clássico do imbróglio fabricado, onde por mais de 10 anos o STF nos disse: “Empregador pessoa física não precisa recolher contribuição sobre receita bruta” (01-08-2011): e nós caipiras acreditamos na Justiça e agora querem nos empurrar goela abaixo um REFIS através da nociva MP 793 que está aí para atender os interesses de grandes grupos econômicos, entre eles o próprio JBS, ao mesmo tempo nos empurrando goela abaixo uma divida que não é nossa e de uma conta impagável, aliás toda essa situação por conta de uma nova e surpreendente votação apertada do mesmo STF (sem trânsito e julgado) que poderá entrar em direto confronto com a Resolução 15/2017, Legal e Soberana do Senado Federal que pôs fim a cobrança do FUNRURAL, podendo se estabelecer um conflito institucional sem precedentes, caso se persista nesse confronto de dimensões incalculáveis.

Enfim, como é difícil produzir com dignidade neste país, além de tudo aqui relatado, ainda temos a dificuldade na hora da comercialização de nossas safras, vítimas de um Mercosul protecionista que já nasceu morto, e ainda somos reféns do poder dos monopólios e cartéis, não temos uma política agrícola condizente, nem tão pouco representatividade em algumas entidades de classe e em parte dos poderes instituídos, contaminados com o viés político-ideológico, lamentável, pois corremos o risco de não conseguirmos mais produzir, levando a uma paralizacao quase que total gerada pela desastrosa condução política socioeconômica fracassada de um governo que deveria estar comprometido com a ordem e o progresso desta nação.

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