Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

PSOL quer aumentar o preço dos defensivos agrícolas

PSOL quer aumentar o preço dos defensivos agrícolas

O aumento de preços poderia gerar uma grande crise no campo

defensivo agrícolaPor Antonio Pinho

Uma péssima notícia para o produtor rural. O Canal Rural informa que

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o fim das isenções tributárias na produção de defensivos agrícolas. O ato gerou reação das entidades produtivas, que organizam um grupo de trabalho para impedir o fim dos incentivos fiscais, já que um estudo encomendado pelo setor mostra que a agricultura ficaria praticamente inviável se o custo dos agroquímicos sofressem aumento.

Por trás dessa ação do PSOL está a noção – que por sinal é falsa – de que os defensivos agrícolas são o grande vilão da saúde. Muito se escreveu na imprensa de que estudos “comprovaram” que as pessoas consomem em média 7 litros de “agrotóxicos” por ano. Esse dado bruto pode parecer assustador, mas é feito com base num cálculo equivocado. Pegam a quantidade total de litros de agroquímicos utilizados no Brasil e dividem pelo total da população. Pronto, está “provado” que os alimentos estão absurdamente envenenados e matando as pessoas. Ora, como argumenta Nicholas Vital, só uma diminuta parte de todos os químicos utilizados cai sobre a fruta ou grão. A maior parte dos agroquímicos fica sobre as folhas, caule, galhos, no solo etc. Mesmo a pequeníssima quantidade que fica sobre a parte comestível do vegetal acaba sendo eliminada pela ação do tempo, com a chuva e a irrigação.

O livro de Vital, Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo, desmente o mito de que os agroquímicos são veneno, quando na verdade eles são os remédios das plantas. Não se pode conceber atualmente uma agricultura competitiva sem o uso de defensivos agrícolas. O título do livro de Vital é bem sugestivo, porque sem os “agrotóxicos” a agricultura não conseguiria produzir uma quantidade suficiente de alimentos para o atual tamanho da população mundial. Por causa dos “agrotóxicos” a produtividade de alimentos por hectare aumentou mais de 360% nas últimas décadas, como no caso do arroz.

As plantas, como qualquer ser vivo, ficam doentes. Portanto, precisam ser medicadas. Há pragas que devastam plantações inteiras e causam bilhões em prejuízos econômicos. Os defensivos agrícolas servem justamente para evitar que isso ocorra. Se as plantas são atacadas por pragas, ficam doentes, morrem, a produtividade cai e menos alimentos ficam disponíveis no mercado.

Um mundo sem defensivos agrícolas pode parecer bonito na teoria, na cabeça de quem não conhece a realidade do campo. Imaginemos um mundo sem defensivos agrícolas, como querem os utopistas. As pragas logo se propagariam nas plantações, que não teriam defesa para novas pragas vindas de fora. A produção por hectare retrocederia a níveis pré-industriais, o que seria uma desgraça no campo e na cidade. No campo, com a falência de muitos produtores rurais grandes, médios e pequenos. Na cidade, com o aumento do preço dos alimentos devido à diminuição da oferta. Haveria falta de alimentos e um aumento nos índices de fome. Os pobres passariam mais fome. Outro grupo muito afetado seria a classe média que, se hoje já gasta boa parte de sua renda com comida, num mundo sem agroquímicos esse índice subiria significativamente. As pessoas teriam que diminuir o consumo de itens industrializados, como eletrodomésticos. A atividade industrial e o comércio seriam afetados. Haveria um caos econômico se não fossem os defensivos agrícolas. Teríamos mais desemprego, mais fome, mais miséria.

Claro que dificilmente irão proibir os defensivos agrícolas. Mas o aumento de impostos sobre eles, como resultado do fim de isenções, fiscais tem o potencial para gerar um grande impacto negativo no campo, que pode sim falir muitos produtores. É certo também o aumento no preço dos alimentos como consequência no aumento do custo de produção.

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