Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Ministério da Agricultura do novo governo pode se transformar em alojamento de derrotados da FPA

Ministério da Agricultura do novo governo pode se transformar em alojamento de derrotados da FPA

Por Valdir Edemar Fries*

Com a indicação da Deputada Tereza Cristina do DEM/MS para ocupar a pasta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, além de outros fatos que envolvem a Deputada Federal, vimos na nomeação da Deputada a abertura de espaço para que sejam alojados no segundo e terceiro escalão do MAPA determinados parlamentares que NÃO conseguiram se reeleger nas últimas eleições, além de estarem envolvidos em delações. Neste sentido, abro um paragrafo para avaliar o resultados das urnas em relação à reeleição dos deputados que fazem parte da FRENTE PARLAMENTAR DA AGRICULTURA (FPA)… Volto ao MAPA ao final.

Segundo o que consta em pesquisas/levantamentos feitos,  praticamente a metade dos deputados que integram a FPA, e disputaram a reeleição, NÃO se reelegeram. Portanto, foram verdadeiramente varridos pelo setor produtivo do meio rural.

Os demais, que se reelegeram, em sua grande maioria, só o conseguiram porque buscaram votos em outros setores da economia e da sociedade em geral.

Ou seja, NÃO se reelegeram com voto da maioria dos produtores rurais. Na verdade, eles acabaram perdendo os votos dos produtores rurais, eleitores que haviam confiado nos mesmos deputados em eleições anteriores.

Portanto, os votos destes poucos que se reelegeram, em grande percentual, NÃO veio do meio rural, porque os deputados da FRENTE PARLAMENTAR DA AGRICULTURA, em sua atual gestão, estiveram a serviço e em defesa dos GRANDES CONGLOMERADOS do AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, e NÃO em defesa dos interesses dos produtores rurais, eleitores que fazem parte da base do sistema produtivo de toda cadeia do AGRONEGÓCIO.

Na verdade, mais da metade dos deputados integrantes da FPA reeleitos, para garantir o resultado, foram buscar votos nas periferias dos grandes centros, e em outras micro regiões do interior de seus respectivos estados. Se garantiram através da contratação de lideranças de bairros, vereadores e, principalmente, de ex-prefeitos para trabalhar como seus cabos eleitorais, uma prática costumeira de parlamentares que abandonaram seus princípios e propósitos para os quais foram eleitos em mandatos anteriores.

Teve também aqueles que buscaram voto dos eleitores de outros municípios mais distantes, fora de suas bases eleitorais, e ou até na mesma micro região, tiveram que ir garimpar o voto de outras classes de eleitorado, fazendo uso das EMENDAS PARLAMENTARES destinada a certas obras públicas e assistenciais, uma das velhas táticas da politica eleitoreira do toma lá da cá. Negociações que chegam a acontecer em meio às praças de diversos centros urbanos (conforme link a seguir), atitude lamentável, que para muitos dos deputados, nem mesmo negociando valores de EMENDAS PARLAMENTARES, não conseguiram conquistar votos suficientes para se reeleger.

A FPA saiu derrotada nestas eleições, haja visto a ocorrência de inúmeros atritos. Uma das questões que levou ao impasse, e gerou criticas por parte de lideranças dos produtores rurais para muitos dos Deputados da FPA, certamente a gota d’água, foi a questão do FUNRURAL, na qual dirigentes da FPA se desdobraram em defesa dos interesses do Governo, e da edição e aprovação da Lei 13.606/2018 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13606.htm), que tenta atrair o produtor rural a realizar a  CONFISSÃO DE DÍVIDAS que DECLARADAMENTE NÃO É DO PRODUTOR RURAL, entre outros “jabutis” inclusos na mesma Lei, que só vêm a penalizar o setor produtivo da AGROPECUÁRIA BRASILEIRA…

A atitude da FPA quanto ao FUNRURAL obrigou a um de seus fundadores, o Senador Ronaldo Caiado, articular uma reunião entre as lideranças de base dos produtores rurais e a FPA com o objetivo de diminuir os confrontos, para que a FPA buscasse mudar seus propósitos, e passa-se a intermediar junto à Presidência da Câmara dos Deputados a aprovação do PL 9252/2017 de autoria do Deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) que tem por finalidade extinguir qualquer passivo que possa existir em relação ao impasse do FUNRURAL.  

A Lei 13.606/2018 traz em seu texto inúmeros artigos inconstitucionais, motivo pelo qual vem sendo prorrogada desde 28 de fevereiro, e agora mais uma vez sua prorrogação foi aprovada no Congresso, sancionada e publicada pelo Presidente da Republica através da MP 842 (http://portal.imprensanacional.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/49480065/do1-2018-11-09-despachos-do-presidente-da-republica-49479946), prazo concedido com objetivo de fazer o produtor confessar uma divida ilegal e inconstitucional…

Se diz que atropelo mata… (https://valdirfries.wordpress.com/2017/11/29/funrural-melhor-colocar-os-bois-na-frente-da-carroca/). Neste caso, todo este atropelo em torno do FUNRURAL,  acabou eliminando grande parte dos parlamentares integrantes da FPA.

Portanto, amigos, a notícia da nomeação da Deputada Federal Tereza Cristina para ser MINISTRA DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, anunciada pelo Presidente eleito JAIR BOLSONARO, abre margem para que muitos dos parlamentares atuais integrantes da FPA, derrotados na eleição de 7 de outubro, sejam nomeados e assumam funções de segundo e terceiro escalão no MAPA, já que a Tereza Cristina é Presidente da FPA, e foi indicada pelos derrotados. Ou seja, muitos dos Deputados que foram varridos da FPA pelos produtores rurais, podem continuar na vida pública…


NÃO FOI BEM ISSO QUE O PRESIDENTE ELEITO ASSUMIU PERANTE OS PRODUTORES RURAIS, ainda na pré-campanha, ocasião que as bases do setor produtivo regaçaram as mangas, e assumiram a campanha do então candidato, agora eleito a Presidência da República… 

A proposta que tínhamos é de que ocuparia o cargo um produtor, ou um técnico, apontado pela base dos produtores rurais, e não da forma que foi, realizada, indicada por políticos por compromissos políticos reafirmados no segundo turno das eleições, porém firmados nos últimos minutos que antecederam as eleições do primeiro turno.

Ainda há tempo de se rever o anúncio da deputada para a pasta da AGRICULTURA… Até porque, as investigações em relação aos Parlamentares e integrantes dos últimos Governos continua no radar do Poder Judiciário, conforme vimos nos noticiários (https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/224788-pf-prende-joesley-batista-e-neri-geller-em-desdobramento-da-lava-jato.html#.W-WWXdVKgnQ). Sem melhor detalhar aqui, que a própria JBS foi em muito beneficiada com a Lei 13.606/2018, sem mencionar que muitos dos atuais integrantes da FPA, tiveram seus nomes ligados à JBS, citados em delações, ou já se esqueceram deste detalhe. O toma lá da cá da velha e conhecida política pode estar sendo instalada dentro do novo Governo. Não é isso que queremos, nem mesmo é o que foi proposto. Portanto, ainda há tempo de se rever a questão do MAPA.

Os produtores rurais tomaram o cuidado de votar em candidatos que se propuseram, em suas campanhas, de realizar um trabalho em defesa do setor, motivo pelo qual temos a certeza de que a composição da FRENTE PARLAMENTAR DA AGRICULTURA da nova Legislatura – e isto é o que deve ser levado em conta no novo Governo – terá novos deputados eleitos, com o propósito fortalecer a FPA e venha a atender seus objetivos afins para a qual foi criada, e certamente, também estará dando total apoio politico necessário ao Plano de Governo do Presidente eleito JAIR BOLSONARO, contribuindo em muito para o desenvolvimento econômico, social e ético de toda NAÇÃO BRASILEIRA.

*Valdir Edemar Fries é produtor rural em Itambé, Paraná.