Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Agro anuncia movimento pela securitização de dívidas e contra Funrural

Agro anuncia movimento pela securitização de dívidas e contra Funrural

Lideranças do agronegócio das cinco regiões do país deram a largada para o Movimento Brasil Verde Amarelo, pré-agendado para ocorrer entre 10 e 15 de maio, em Brasília.

O objetivo da manifestação é reforçar as reivindicações do setor em defesa da securitização das dívidas rurais – calculadas em R$ 700 bilhões, dos quais R$ 300 bi com bancos nacionais e R$ 400 bi com tradings – e da eliminação do passivo do Funrural, além de refirmar o apoio dos produtores ao governo Bolsonaro.

“Securitização sim. Funrural não. Bolsonaro sempre”, resumiram as lideranças reunidas nessa terça-feira (12), em Brasília, para tratar da organização do movimento, que tem origem no Manifesto Abril Verde Amarelo, realizado no ano passado, em Brasília, e que contou com a participação do então candidato a presidente Jair Bolsonaro. O encontro também teve a presença de deputados federais da base do governo Bolsonaro.

“Os produtores também pedirão ao governo e ao Congresso Nacional soluções para as invasões de terras relacionadas a questões indígenas e quilombolas, o fim das restrições ambientais e medidas para combater a insegurança no campo”, disse Jeferson Rocha, diretor jurídico da Andaterra (Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra), uma das organizadoras do Movimento Brasil Verde Amarelo.

“A ideia é fazermos um movimento da base dos produtores, entre 10 e 15 de maio, paralelamente à ExpoBrasília [uma das maiores feiras do agro do país]. Viremos a Brasília para expor nossas reivindicações. Agora, com a diferença de que estamos com um governo eleito pela base do agro e que tem enorme afinidade ideológica com o setor primário. Não dá mais para sustentar o agro em resolver esses dois assuntos”, enfatizou Rocha.

Os produtores pretendem ainda reafirmar, durante o movimento, seu apoio à agenda do governo, especialmente as reformas da Previdência e tributária. “A reforma tributária é essencial para todo o setor produtivo, seja rural ou urbano. Queremos pedir também que se dê início à reforma tributária, para que tenhamos uma desoneração de impostos, que encarece os custos de produção e nos tira produtividade”, ressaltou Rocha.

mobilização de maio reuniao andaterra 1

Lideranças do agro reforçam posição contra Funrural e a favor da securitização

Movimento propositivo

Segundo o diretor jurídico da Andaterra, o movimento não é só reivindicatório, mas também propositivo. “Vamos ajudar o governo a construir uma pauta positiva. Hoje, nosso VBP [Valor Bruto da Produção) é de cerca de R$ 600 bilhões. Com a securitização e Funrural, destravando a economia e eliminando esses dois empecilhos, o agro pode crescer mais em quatro, cinco anos e termos um VPB de R$ 1 trilhão. Queremos rumar ao agro trilhão.”

“Há problemas para resolver, mas temos muitas soluções para propor ao governo para gerar empregos e atrair divisas, com o aumento das exportações agrícolas, alavancando a economia. O único meio de fazer o Brasil crescer hoje é o setor primário, que já alimenta o mundo. Segundo a FAO, até 2050, precisaremos elevar a produção de alimentos em no mínimo em 60%. O agro precisa ser fortalecido para alcançarmos essa meta”, acrescenta.

Rocha destacou ainda a participação na reunião do deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), autor do projeto de lei que elimina o passivo do Funrural, do deputado federal major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara,  da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), vice-líder do governo no Congresso Nacional, e de deputados federais de Nordeste. “Eles entenderam e recebem muito bem o nosso movimento.”

Os parlamentares informaram que o governo está propondo medidas para equacionar parte dos problemas dos produtores. “Soubemos que já há o encaminhamento de linhas de financiamento via BNDES para repactuação das dívidas rurais”, assinalou Rocha.

Ele também ressaltou a presença no encontro de representantes de entidades sindicais e associativas e movimentos do Sul, Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. “As lideranças do agro deixaram muito claro que  ainda são muitos fortes as reivindicações por uma ampla securitização e contra o Funrural.”

O diretor jurídico da Andaterra pontuou que o desejo dos produtores é que a manifestação de maio do Movimento Brasil Verde Amarelo se transforme numa grande celebração. “Se até lá a securitização [renegociação das dívidas agrícolas, com prazo de até 25 anos de pagamento] e o Funrural estiveram resolvidos, faremos uma grande festa em Brasília. Festa que queríamos ter feito na posse do presidente Bolsonaro, mas que pode ser realizada agora.”

Fonte: Agro em Dia