Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

“Afinal o que é respeito?”, relato de um produtor de arroz

“Afinal o que é respeito?”, relato de um produtor de arroz

Preços baixos, quebra de safra e custos altos estão sufocando o agricultores de arroz do Rio Grande do Sul.

Segundo Jeferson Rocha, da ANDATERRA, é uma triste realidade da rizicultura brasileira. “A falta de renda, a alta carga tributária, a ausência da tão falada Política Pública” para o setor está levando à falência esse segmento tão importante do Agro. No início do ano sugerimos a utilização do compulsório para abrir uma linha de securitização, infelizmente o ministro Paulo Guedes anunciou ontem (27) que vai liberar 100 bilhões de reais do compulsório para os bancos poderem emprestar. Dinheiro esse que vai fazer falta ao Agro“, avalia.

Sem incentivos fiscais e com custos muito diferentes dos concorrentes do Mercosul, o produtor, André Acordi, de 68 anos, faz um desabafo sobre esta lamentável situação.

o que é respeitoAfinal, o que é respeito?

É em vão dizer que se teme a Deus, que se respeita a Deus, enquanto não se respeita pessoas. Eu quero saudar aqui neste momento, os “heróis da terra”, falo especificamente do produtor de arroz. Eu sou agricultor, tenho 68 anos, sempre fui agricultor e vivemos a cada ano uma crise ainda pior.

Esta história não começou, nem ontem, nem anteontem, começou há muito tempo. A não existência de política agrícola, está nos levando a um caos, está nos levando ao fim.

Eu quero falar para você amigo agricultor, produtor de arroz, que com certeza eu tive o seu apoio, quando juntos viramos a mesa lá na Restinga Seca no estado do Rio Grande do Sul, quando protestamos por não aguentar mais.

Pedir securitização de dívida neste momento, ainda é pouco! O perdão de dívida… O perdão de dívida… E nós ainda sermos indenizados por danos morais pelo desrespeito que estamos tendo, pois somos iludidos a plantar.

Nós nem queremos mais dinheiro pra custeio, porque a nossa atividade não é sustentável. E, é em vão, nós gastarmos mais do que temos de receita, é gastar 10 e fazer 8, isso não tem mais sentido, ACABOU! (André Acordi)

Fonte: Agro News Brasil