Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Antropólogo Edward Luz é preso de forma arbitrária pelo Ibama no Pará

Antropólogo Edward Luz é preso de forma arbitrária pelo Ibama no Pará

O antropólogo Edward Luz, passou por um grande infortúnio na tarde deste deste ultimo domingo no Município de Senador José Porfírio, no Sudeste do Pará, ao tentar fazer valer um acordo firmado entre o Ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, e o Ministério Publico Federal (MPF) contra a destruição de “patrimônio de população em situação de fragilidade”.

Na última terça-feira (11), Luz esteve reunido com o Senador Zequinha Marinho, representantes do MPF, o prefeito de Senador José Porfírio, Dirceu Biancardi e o ministro do MMA, onde foram discutidas soluções para os conflitos vivenciados pelos moradores da região próxima à Altamira, conflitos esses provocados por uma “ação desastrosa do Ibama e mal conduzida” que têm prejudicado 1500 famílias que foram assentadas na área em 2009, pela então governadora Ana Júlia Carepa.

A ação, como já abordado aqui no Segredos da Tribo, se vale de uma portaria expedida pela Fundação Nacionol do Índio (Funai), de janeiro de 2019, assinada pelo então presidente Franklimberg de Freitas, que denomina a região como Terra Indígena Ituna/Itatá para que os trabalhos de localização, monitoramento e proteção da referência de índios isolados nº 110 tivessem continuidade.

“De uma hora para outra, dois assentamentos foram transformados em suposta Terra Indígena por apenas dois pareceres, por duas peças técnicas dentro da Funai, ignorando completamente todo um processo administrativo de mais de seis etapas”, afirma o antropólogo.

Muitas das pessoas afetadas pela portaria possuem apenas aquele pedaço de chão como morada e local de trabalho. E essa realidade é que foi mostrada ao ministro Ricardo Salles, assumindo uma fragilidade dessa portaria, decidiu suspender os trabalhos de desintrusão e o processo de queima de propriedade até que os demais estudos da funai fossem realizados.

Edward afirma estar presente no momento em que o ministro realiza a ligação telefônica para o senhor Eduardo Bim, presidente do Ibama.

Para surpresa do antropólogo e dos que estiveram na reunião, a “suposta” suspensão não estava valendo e que a ordem e que a ata de suspensão não havia chegado até a região e que não tinha valia no local.

Foi então que o antropólogo resolveu ir até a região e encontrou os agente do Ibama que continuavam “sua saga destruidora” e várias denúncias de violência.

A intenção era informar que a operação estava suspensa, que a desintrusão e a destruição de patrimônio de pessoas em condições de vulneráveis e que a ordem tinha sido dada pelo ministro Ricardo Salles. Munido com o texto e ata firmada pelos procuradores da 4ª vara do MPF e um texto de sua autoria com fotos e resumos que comprovavam sua presença na reunião com o ministro, Luz tentou dizer que se a ação prosseguisse seriam por suas contas e riscos, pois poderiam ser indiciados criminalmente pelos atos de abuso de autoridade, pois havia uma ordem de suspensão da operação.

Mas a conversa não foi próspera e o antropólogo foi preso de forma arbitrária e intransigente sob a acusação de desobediência. Edward Luz ficou sob custódia do Ibama e depois conduzido para Polícia Federal. Foi solicitada uma reunião com a diretoria do Ibama no Pará, com o MP do Pará e com a Funai para esta terça-feira (18), para que os interesses daqueles que querem viver e produzir na Amazônia sejam defendidos e respeitados, para que haja produtividade e sustentabilidade na região.

Veja o vídeo do momento em que o antropólogo é preso abritrariamente:

 

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Por Sephora Melo

Fonte: Segredos da Tribo