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Rússia implanta desinformação sobre o coronavírus para disseminar pânico no Ocidente, diz documento da União Europeia

Rússia implanta desinformação sobre o coronavírus para disseminar pânico no Ocidente, diz documento da União Europeia

Por Robin Emmott

Tradução de Thiago Vieira

Bruxelas (Reuters) – A mídia russa implantou uma “campanha de desinformação significativa” contra o Ocidente a fim de piorar o impacto do coronavírus, gerar pânico e disseminar desconfiança, segundo um documento da UE (União Europeia) visto pela Reuters.

O Kremlin negou as alegações na quarta-feira, dizendo que elas são infundadas e que careciam de bom senso.

O documento da UE declarou que a campanha russa, estimulando notícias falsas online em inglês, espanhol, italiano, alemão e francês, usa relatórios contraditórios, confusos e maliciosos para dificultar a comunicação da UE em sua resposta à pandemia.

“Uma campanha significativa de desinformação feita pela mídia estatal russa, e pró-Kremlin, com relação ao Covid-19, está em andamento”, relatou o documento interno de nove páginas, com data de 16 de março, usando o nome da doença que pode ser causada pelo coronavírus.

“O objetivo principal da desinformação do Kremlin é agravar a crise de saúde pública nos países ocidentais… de acordo com a estratégia geral do Kremlin de tentar subverter as sociedades europeias,” mencionou o documento produzido pelo braço da política externa da UE, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

Um banco de dados da UE registrou, desde o dia 22 de janeiro, quase 80 casos de desinformação sobre o coronavírus, diz o documento, observando os esforços russos para aumentar as acusações iranianas online e citaram, sem evidência, que o coronavírus era uma arma biológica dos Estados Unidos.

A maioria dos cientistas acredita que a doença se originou em morcegos na China antes de passar para os seres humanos.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, apontou para o que ele disse ser, a falta, no documento da UE, de um exemplo específico ou ligação a um meio de comunicação específico.

“Estamos falando novamente sobre algumas alegações infundadas que, na presente situação, são provavelmente o resultado de uma obsessão anti-russa”, disse Peskov.

O documento da UE citou exemplos da Lituânia a Ucrânia, incluindo falsas alegações de que um soldado americano enviado para a Lituânica foi infectado e hospitalizado. O documento aponta que, nas mídias sociais, o RT Espanhol, financiado pelo Estado russo, era a 12º fonte de notícias mais popular sobre o coronavírus entre janeiro e meados de março, isso com base na quantidade de notícias compartilhadas nas mídias sociais.

O SEAE se recusou a comentar diretamente sobre o relatório.

A Comissão Europeia disse que estava em contato com o Google, (GOOGL.O), Facebook (FB.O), Twitter (TWTR.N) e Microsoft (MSFT.O). Um porta-voz da UE acusou Moscou de “brincar com a vida das pessoas” e apelou aos cidadãos da UE para “serem muito cuidadosos” e usar apenas as fontes de notícias nas quais confiam.

“CRIAÇÃO HUMANA”

A UE e a OTAN já haviam acusado a Rússia de ação secreta, incluindo desinformação, para tentar desestabilizar o Ocidente explorando as divisões da sociedade.

A Rússia nega essas táticas e o presidente Vladmir Putin acusou os inimigos estrangeiros de atacar a Rússia ao espalhar notícias falsas sobre o coronavírus no intuito de criar pânico.

A mídia russa na Europa não teve sucesso em alcançar o público em geral, mas oferece uma plataforma para populistas anti-UE e polariza o debate, como mostrou a análise da UE e de grupos não-governamentais.

O relatório do SEAE citou distúrbios, no final de fevereiro, na Ucrânia, uma antiga república soviética que agora busca se juntar à UE e à OTAN, como um exemplo das consequências de tal desinformação.

O relatório se refere a uma carta falsa, supostamente do ministério da saúde ucraniano, que declarou falsamente que havia cinco casos de coronavírus no país. Mas autoridades ucranianas dizem que a carta foi criada fora da Ucrânia, segundo o relatório da UE.

“Mensagens de desinformação pró-Kremlin sustentam que o coronavírus é uma criação humana, armada pelo Ocidente”, informa o relatório, citado pela primeira vez pelo Financial Times.

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Foto: Sangue falso é visto em tubos de ensaio marcados com o coronavírus (Covid-19) nessa ilustração de 17 de Março de 2020. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

O relatório citou notícias falsas criadas pela Rússia na Itália – que está sofrendo o segundo surto mais mortal de coronavírus -, alegando que a UE, de 27 países, foi incapaz de lidar efetivamente com a pandemia, apesar de uma série de medidas coletivas tomadas pelos governos nos últimos dias.

O SEAE também compartilhou informações com a Eslováquia sobre a disseminação de notícias falsas, acusando o primeiro ministro do país, Peter Pellegrini, de estar infectado com o vírus e informando que ele pode ter passado a infecção a outras pessoas em cúpulas recentes.

Os líderes da UE vêm se reunindo por videoconferência desde o início de março.

Link da reportagem original em: https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-disinformation/russia-feeding-coronavirus-disinformation-to-sow-panic-in-west-eu-document-says-idUSKBN21518F

Tradução de Thiago Vieira. E-mail para contato profissional: tkv1986@gmail.com 

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