Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra

Em meio a novos escândalos de corrupção, as fábricas da JBS nos EUA estão repletas de coronavírus

Em meio a novos escândalos de corrupção, as fábricas da JBS nos EUA estão repletas de coronavírus

Por Isabel Vincent para o New York Post, adaptação de Antonio Pinho e tradução de Thiago Vieira

 A maior fábrica de processamento de carne do mundo, da JBS, foi forçada a fechar algumas de suas fábricas nos EUA, pois, na última semana, mais de 100 de seus trabalhadores deram positivo para a Covid-19. Porém, a pandemia pode ser o menor dos problemas.

 Brasileiros bilionários, os irmãos Batista – um dos quais possuía uma cobertura em Manhattan – controlam a enorme produtora de carne JBS, que abate 13 milhões de animais por dia e possui uma receita de $50 bilhões por ano, foram associados à alta corrupção governamental que abalou o Brasil.

 A empresa dos Batista está também sendo investigada nos EUA por suborno e foi acusada de superfaturamento durante a crise da Covid-19. Enquanto isso, foi pedido que o procurador-geral de Nova York observe a empresa como “uma ameaça iminente” antes que ela se torne pública em Wall Street.

Wesley Batista (esquerda) e Joesley Batista

Wesley Batista (esquerda) e Joesley Batista

 Os irmãos vivem no luxo

 Joesley Batista, de 48 anos, que, junto do seu irmão de 47 anos, passou, no Brasil, seis meses na prisão sendo acusado de abuso de informação privilegiada, vendeu um amplo apartamento de 685 metros quadrados no Baccarat Hotel – no centro da cidade de Nova York – em 2018. O elegante local, do outro lado da rua do Museu de Arte Moderna, foi avaliado em mais de $ 11 milhões – fundos destinados ao pagamento de multas e custos legais dos irmãos, conforme reportagens da imprensa brasileira.

 Joesley, o mais extravagante dos dois, comprou uma Lamborghini, um iate e casou-se com Ticiana Villas Boas, a glamourosa co-apresentadora do programa Bake Off Brazilmão na massa. Certa feita, na revista brasileira Veja, ela se gabou que sua família era tão rica que desconhecia o preço das compras ou de outros itens domésticos. Após pressão da JBS, no Brasil, o artigo foi removido do site da revista, segundo reportagens da imprensa brasileira.

 Após admitir ter subornado quase 2000 servidores públicos no Brasil no intuito de garantir o financiamento do governo para alimentar a expansão de sua empresa nos EUA, há alguns anos, Joesley e Wesley Batista foram multados, em 2017, em mais de $ 3,2 bilhões de dólares, a multa mais alta da história do país.

 Agora, a empresa que controla a JBS, a J&F Investimentos, é alvo de investigações do Departamento de Justiça e da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA por suborno neste país. Ano passado, o senador da Flórida, Marco Rubio, e o senador de New Jersey, Bob Menendez, instaram o governo federal a investigar o conglomerado de processadores de carne bovina e seus supostos negócios com o governo venezuelano depois que a empresa estabeleceu laços comerciais com a administração do presidente Nicolás Maduro. Os EUA aplicaram sanções contra o líder venezuelano.

 Semana passada, os legisladores dos EUA, incluindo o presidente de finanças do Senado, Chuck Grassley, renovaram os apelos ao governo federal para investigar a suposta fixação de preços pela JBS e outros grandes produtores da carne bovina durante a pandemia. De acordo com Grassley, os grandes processadores de carne estão usando a pandemia para “arrancar” os produtores de gado dos EUA.

 E um jurista brasileiro que trabalha para recuperar bilhões de dólares em fundos públicos que os irmãos Batista adquiririam por meios “ilícitos”, recentemente solicitou ao procurador-geral de New York que iniciasse uma investigação, pois a empresa planeja abrir seu capital na Bolsa de Valores de New York

“Escrevemos para chamar a atenção… essas questões são importantes porque elas representam, potencialmente, uma ameaça iminente aos moradores de New York, investidores e instituições financeiras”, disse uma carta de 20 de dezembro de 2019 à procuradora-geral de New York, Letitia James.

“Esta transação que foi proposta é, de fato, uma tentativa dos Batista de arrecadar fundos para pagar suas multas multibilionárias e legitimar a eles e suas empresas via uma oferta pública inicial sancionada pelos EUA”, disseram os advogados por meio de Mauricio Mota, um professor brasileiro de Direito.

A empresa “não foi acusada de nenhuma irregularidade”, disse Nikki Richardson. “A JBS cooperou totalmente com todas as autoridades nos Estados Unidos em relação aos eventos que ocorreram no Brasil há quase três anos. Todas as investigações, até o momento, se concentraram em eventos no Brasil, e a empresa continuará a cooperar e a responder a quaisquer perguntas subsequentes.”

Na semana passada, a JBS, que vende carne e frango sob os rótulos Pilgrim’s Pride e Swift, afirmou que estava fechando uma fábrica em Greeley, no Colorado, onde quatro trabalhadores morreram devido ao coronavírus, incluindo o antigo funcionário da fábrica de embalagens, Saul Sanchez, de 78 anos, pai de seis filhos, que trabalhou na fábrica por mais de 30 anos. Uma filha, Beatriz Rangel, disse que Sanchez estava disposto a trabalhar na fábrica, mesmo durante o surto, pois confiava em seu empregador.

Uma fábrica da JBS em Souderton, na Pensilvânia, fechou no mês passado depois que trabalhadores tiveram sintomas de gripe. Entretanto, está programado para que ela reabra na segunda-feira, informou a empresa.

Link da reportagem original emhttps://nypost.com/2020/04/18/billionaire-brothers-meat-plants-riddled-with-coronavirus/

Tradução de Thiago Vieira. E-mail para contato profissional: tkv1986@gmail.com 

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