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CORONAVÍRUS: se a Suécia for bem-sucedida, todos os bloqueios terão sido em vão

CORONAVÍRUS: se a Suécia for bem-sucedida, todos os bloqueios terão sido em vão

Por Daniel Hannan – The Telegraph

Tradução de Thiago Vieira, edição de Antonio Pinho

Quando comentaristas estrangeiros discutem a leve resposta da Suécia ao Covid-19, eles tendem a adotar um tom de afronta. O que é, a princípio, surpreendente. Você pensa que todos estariam dispostos a ter sucesso neste país nórdico. Isso em virtude de que, se a Suécia puder passar pela epidemia sem deixar um buraco onde sua economia costumava estar, há esperança para o resto do mundo. Até agora, muitos sinais parecem encorajadores. A doença parece estar seguindo a mesma básica trajetória na Suécia e em outros lugares.

vírus fotoEmbora devamos aguardar por dados mais completos, as amostras dadas pelas autoridades do país sugerem que a taxa de infecção em Estocolmo atingiu o pico em 8 de abril. Sendo assim, precisamos considerar sua implicação, a saber, que, uma vez que as medidas básicas de higiene e distanciamento estejam vigorando, apertar ainda mais o parafuso talvez faça pouca diferença. O que seria uma boa notícia para nós. A adoção da resposta mais laissez-faire da Suécia pode não restaurar a saúde de nossas economias, mas, pelo menos, nos permitiria tirá-las de seus comas induzidos.

De um modo geral, a Suécia segue a abordagem que a Grã-Bretanha seguiu na semana anterior ao confinamento – a abordagem que nossos estrategistas, de fato, haviam defendido nos tempos mais frios. No dia 23 de março, numa virada repentina, as lojas da Grã-Bretanha foram fechadas e foi pedido para que sua população ficasse em casa.

O que havia mudado? Foi a exigência histérica da mídia por uma repressão ao estilo continental? Ou a reação furiosa às pessoas que visitam belos lugares no dia das mães? Ou era o modelo do Imperial College, publicado poucos dias antes, que alertou sobre as centenas de milhares de mortes a menos que houvesse uma quarentena em massa? Qualquer que seja a explicação, o confinamento logo ganhou impulso próprio, com cada nova morte transformada em argumento para as restrições mais rigorosas.

É importante ressaltar que a Suécia não está sendo negligente. Sua população foi instruída a trabalhar em casa, se puder, e a evitar contatos desnecessários. Jogos esportivos e reuniões de mais de 50 pessoas estão proibidas. Os cafés podem servir os clientes nas mesas, mas não no bar. Muitos suecos, especialmente os idosos, estão se isolando por opção. Os gastos pessoais, medidos pelas transações com cartões bancários, caíram em 30% – embora, em comparação, a queda na Noruega seja de 66% e, na Finlândia, de 70%.

“No começo, eu estava em dúvida”, me conta uma amiga do condado de Blekinge, no sul. “Mas todos os dias me sinto mais confiante. Nossa equipe de saúde pública aparece ter tomado a decisão certa.”

A maioria dos suecos concorda com ela. Segundo o pesquisador Novus, 76% apoiam a agência de saúde pública. “Politicamente, são más notícias”, admite um parlamentar de direita. “O governo socialista ganhou 21 pontos. Mas sou patriota e quero o melhor para o meu país. Critico os ministros por não ajudarem as pequenas empresas. Mas não os critico por aderir à ciência quando outros países cederam ao populismo.”

É verdade que a Suécia teve mais mortes, proporcionalmente, do que seus vizinhos nórdicos (embora menos do que a Espanha, França ou Grã-Bretanha. Isso ocorre em virtude de que o vírus chegou tragicamente às casas de repouso). Mas vale lembrar que a estratégia sueca sempre permitiu a possibilidade de uma taxa de mortalidade inicial mais alta.

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Britain, remember, closed its economy in order to “squash the sombrero” – that is, to spread out the number of infections and, avoid crippling the NHS. The policy seems to have succeeded: there are more spare critical care beds available than before the pandemic started. The Swedish authorities calculated that their hospitals did not need a delay, and believe they have been vindicated. Sweden’s public health agency says that a third of Stockholm residents will have been infected by May 1. If having had the disease leaves a measure of immunity, Sweden will emerge from the crisis much earlier than the countries that are dragging things out.

Lembre-se de que Grã-Bretanha fechou sua economia para “esmagar o sombreiro” – isto é, desconcentrar o número de infecções e evitar ferir o NHS (Sistema Nacional de Saúde). A política parece ter sido bem-sucedida: há mais leitos de terapia intensiva disponíveis do que antes do início da pandemia. As autoridades suecas calcularam que seus hospitais não precisavam de atraso e creem que foram justificadas. A agência de saúde pública da Suécia diz que um terço dos moradores de Estocolmo estará infectado até o dia 1º de maio. Se a doença deixa uma certa imunidade, a Suécia sairá da crise muito antes dos países que estão arrastando as coisas.

Este é ainda um grande “se”. Mas as políticas públicas devem se basear no princípio da proporcionalidade. Não cabe a mim provar que os bloqueios definitivamente não funcionam. O ônus da prova recai sobre aqueles que se propõem a acabar com nossas liberdades, não sobre os defensores do status quo ante. 

Quando os bloqueios da Grã-Bretanha foram anunciados, eles tinham um objetivo claro: ganhar tempo para o NHS (Serviço Nacional de Saúde). Funcionou: fomos poupados do horror que tomou conta de partes da Itália. O governo acredita que as mortes atingiram o pico em 8 de abril, sugerindo que a taxa de infecção atingiu o pico por volta de 18 de março – em outras palavras, quando a Grã-Bretanha ainda seguia uma política no estilo sueco de manter distância e lavar as mãos.

Então, por que não voltar a tal política? Como “achatar a curva” se transformou em “evitar um segundo pico”? É difícil antever como o fim de uma quarentena em massa não levará a um aumento – assim como levará a um aumento de resfriados comuns e acidentes de trânsito. Nosso objetivo, de fato, deve ser garantir que esse aumento não sobrecarregue o sistema. Em outras palavras, devemos ter como objetivo evitar que pessoas morram por falta de atendimento médico, não evitar todas as mortes – o que, na ausência de uma cura, é impossível.

Uma das mais perigosas inclinações humanas é a falácia dos custos irrecuperáveis. A ideia de que sacrificamos muito para desistir agora. Essa noção pode levar ao desastre. Todas as nações beligerantes do Primeiro Mundo, por exemplo, sofreram mais do que qualquer objetivo de guerra concebível poderia justificar; mas, uma vez iniciada a matança, tornou-se sua própria justificativa. Termos concordantes significariam que todos aqueles jovens tinham morrido em vão. Nada menos do que a vitória total os honraria.

Ouça as frases que ouvimos nas notícias diárias das 17h. Não devemos tirar o pé do pedal, dizem a nós, ou tudo o que alcançamos até agora terá sido em vão. Como Matt Hancock disse na quinta-feira, nós “viajamos muito juntos para voltar agora”.

Mas, e se a dureza de bloqueio tiver pouca influência no número geral de mortalidade? Na Europa, França, Espanha e Itália, que impuseram pesadas restrições, sofreram mais do que, por exemplo, a Suécia. É evidente que pode haver outras explicações: demografia, densidade populacional, hábitos culturais. Mas, repetindo: cabe aos defensores da coerção sem precedentes do Estado provar seu argumento, e não seus oponentes provarem negativamente.

Poderia ser, como argumenta Isaac Bem-Israel, que a doença trace um arco semelhante, por mais restrito que seja o bloqueio? Segundo o cientista israelense: “Acontece que um padrão semelhante – rápido aumento de infecções que atinge um pico na sexta semana e diminua a partir da oitava semana – é comum a todos os países em que a doença foi descoberta, independentemente de suas respostas políticas.”

Talvez ele esteja errado, é claro. Mas não basta responder dizendo: “Vamos manter o bloqueio um pouco mais, só para ter certeza.” A posição padrão deve ser manter nossas liberdades, a menos que haja evidências sólidas de que abandoná-las fará uma diferença significativa. De qualquer forma, ao custo de $ 2,4 bilhões por dia, o tempo é um luxo que não temos.

O ressentimento destinado à Suécia reflete uma sensação desconfortável de que o resto de nós pode estar se condenando a anos de desnecessária pobreza. A Suécia é como o controle de um experimento. Se for bem-sucedido, os entusiastas do bloqueio nunca poderão reivindicar isso, mas, por suas medidas, as coisas teriam sido ainda piores. Não é sem razão que eles parecem tão irritadiços.

Reportagem original emhttps://www.telegraph.co.uk/news/2020/04/25/sweden-succeeds-lockdownswill-have-nothing/

Tradução de Thiago Vieira. E-mail para contato profissional: tkv1986@gmail.com