Enfrentando o monopólio da JBS, pecuaristas se unem para reabrir frigoríficos

Por Antonio Pinho

A união do PT com os grandes empresários deu nisso: a criação de gigantescos monopólios, os quais são financiados com dinheiro público, em nosso caso, com os recursos do BNDES. O “fenômeno” JBS, o grande monopólio das carnes, é o exemplo perfeito disso. Com os escândalos de corrupção levados à tona pela Operação lava Jato, a JBS caiu em total descrédito, o que se evidencia pelo verdadeiro naufrágio no valor de suas ações no mercado financeiro. Agora os pecuaristas do Mato Grosso estão com dificuldade para vender sua produção. A ideia para contornar esse problema é a criar uma cooperativa para reabrir vários frigoríficos fechados no Mato Grosso.

Mas eis a grande pergunta: por que estes frigoríficos estão fechados? Financiada pelo BNDES, a JBS saiu pelo Brasil afora comprando todos os frigoríficos que pôde para, logo em seguida, fechá-los. A intenção era justamente destruir a concorrência e concentrar o mercado. E tudo isso foi financiado com o dinheiro dos pagadores de impostos. Resultado: hoje, metade do mercado de carnes do Mato Grosso está nas mãos da JBS, segundo matéria da Revista Veja.frigorífico 2

Temos diante de nós o exemplo perfeito do que é socialismo. Muitos pensam que socialismo é quando o governo é dono de todas as empresas, fábricas e fazendas. Mas isso é uma visão equivocada. Socialismo é quando os políticos e grandes empresários se reúnem para destruir a livre concorrência, criando gigantescos monopólios, para benefício mútuo e para o prejuízo do povo comum.

Foi este o processo que vemos no Brasil. Empresários compram políticos, estes, por sua vez, dão dinheiro público para que os empresários controlem o mercado, e parte do dinheiro volta aos políticos que detém as chaves dos cofres públicos. Nesta relação promíscua entre grandes empresários e políticos, é a nação que perde, empobrece, e o poder político-econômico de uma pequena elite só tende a aumentar, sufocando a sociedade civil num cenário em que a livre economia de mercado é destruída.

Agora, com a JBS em desgraça, os produtores se articulam para que o mercado de carne volte à normalidade, ou seja, sem gigantescas empresas monopolizando o setor. O caminho é voltar ao que era antes, com pequenos e médios frigoríficos atuando na cadeia produtiva. Só assim é possível ter uma economia saudável e realmente livre.

Confira a matéria da Revista Veja:

Um grupo de pecuaristas de Mato Grosso, maior produtor de gado do país, está se articulando para criar uma cooperativa para reativar até 15 frigoríficos do Estado. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas ganharam força nas últimas semanas, depois que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, controladores da JBS.

A crise na empresa que se seguiu às delações provocou uma grande desarrumação no mercado de bovinos. Pecuaristas passaram a temer vender gado à prazo para a JBS, e começaram a procurar outros compradores. Mas as opções são restritas – a JBS concentra cerca de 50% do abate no Estado. Por conta desse desarranjo, o preço do gado bovino acabou caindo.

Com isso, ganharam força as conversas entre os pecuaristas para assumirem frigoríficos fechados. A ideia, segundo Luciano Vacari, diretor executivo da Associação de Criadores do Mato Grosso (Acrimat), já vinha desde que foi deflagrada, em março, a Operação Carne Fraca, que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em esquema de corrupção, mas agora foi acelerada. “A abertura de uma cooperativa é uma das possibilidades. Podemos atrair investidores de fora, mas tudo está em discussão ainda”, disse.

Fazem parte desse pool de pecuaristas os irmãos Fernando e Eraí Maggi, primos do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, donos do grupo agropecuário Bom Futuro. A família Maggi é uma das maiores produtoras de soja no Brasil. “Estamos em conversas com o governo do Estado de Mato Grosso”, disse Fernando Maggi. A ideia é que essas unidades possam se tornar exportadoras.

Fernando Maggi é hoje um dos maiores fornecedores de gado para o Marfrig, o segundo maior frigorífico brasileiro. O pecuarista também foi, há dois anos, cliente do JBS, mas decidiu romper o contrato. Maggi negou que a família, por meio do grupo Bom Futuro, pretenda abrir seu próprio frigorífico.

Mato Grosso tem, no total, 22 frigoríficos desativados, boa parte por conta do movimento de concentração do setor. Desses, de seis a oito podem ser reabertos nos próximos meses, disse Ricardo Tomczyk, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Na terça-feira, o Minerva, terceiro maior frigorífico do país, anunciou que vai reabrir a unidade na cidade de Mirassol D’Oeste. O Marfrig também avalia reativar duas unidades.

Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, apoia a iniciativa dos pecuaristas e diz que as unidades reabertas têm condições de atender à demanda. No entanto, lembra que a habilitação para exportação não é tão rápida. “A inspeção para exportar para Ásia e União Europeia, por exemplo, demora de seis meses a um ano.”

Fonte: Revista Veja

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